Vale D’Este: mais do que um lugar no ranking, a solidez de um projeto educativo
Os resultados dos exames nacionais de 2025 voltam a dar motivos de satisfação à Escola Básica e Secundária de Vale D’Este, em Viatodos. Mas, mais do que a posição alcançada nos rankings, importa reconhecer a consistência de um percurso, a capacidade de superar expetativas e o trabalho de uma comunidade educativa que continua a acreditar no valor da Educação.
Todos os anos, por esta altura, a publicação dos rankings das escolas suscita atenções, comparações e, naturalmente, algumas celebrações. Os resultados dos exames nacionais são apresentados em listas ordenadas, as escolas ganham ou perdem posições e multiplicam-se as análises sobre quem subiu, quem desceu e quem ficou mais bem classificado. Contudo, importa começar por relativizar este exercício. Efetivamente, em Educação não estamos a disputar uma corrida de sprint, em que o que conta é chegar primeiro a cada meta anual. Estamos envolvidos num processo muito mais complexo, exigente e duradouro: o da formação e educação dos nossos alunos, que não se esgota numa classificação nem se mede integralmente através de um exame.
Acresce que tenho sempre algumas reservas perante comparações que colocam no mesmo plano realidades tão distintas. Escolas públicas e privadas, estabelecimentos de meios rurais e urbanos, comunidades educativas com diferentes condições socioeconómicas e culturais: serão estas realidades verdadeiramente comparáveis? Poderemos avaliar com os mesmos critérios percursos que partem de condições tão diferentes? Os resultados dos exames são importantes e merecem a nossa atenção, mas não contam, por si sós, toda a história de uma escola.
Face ao exposto, considero que há duas dimensões que devemos privilegiar na leitura dos rankings. A primeira é olhar para os nossos resultados em cada ano, perceber a trajetória que temos vindo a construir e identificar oportunidades de melhoria. A segunda é comparar-nos com escolas que partilham contextos socioculturais semelhantes, procurando perceber em que medida conseguimos superar as expetativas. Mais do que a posição num ranking absoluto, interessa-nos, por isso, conhecer a nossa posição no ranking de superação.
E é precisamente nesta dimensão que os resultados agora conhecidos nos dão particular satisfação.
De acordo com os dados publicados pelo jornal Público, a 30 de outubro de 2026, relativos aos exames nacionais de 2025, a Escola Básica e Secundária de Vale D’Este alcançou o 85.º lugar no ranking de superação, num universo de 562 escolas. Este é um resultado que merece ser destacado, pois traduz a capacidade de alcançar desempenhos superiores aos esperados quando consideradas escolas com características e contextos semelhantes.
Os números ajudam a perceber melhor este desempenho. A média obtida pelos nossos alunos nos exames nacionais foi de 12,56 valores, superando em 0,91 valores a média de 11,65 valores esperada pelo modelo estatístico utilizado. Não se trata apenas de uma boa média: trata-se de um resultado acima daquilo que seria previsível, tendo em conta o contexto da nossa escola. E esta é, seguramente, uma das melhores formas de reconhecer o trabalho desenvolvido.
Há também outro indicador que merece especial destaque: 90% dos alunos dos cursos científico-humanísticos concluíram o seu percurso em três anos, quando a média nacional comparável se situou nos 76,88%. Estamos perante uma diferença positiva de 13,12 pontos percentuais, o que evidencia a capacidade da escola em acompanhar os seus alunos, promover o sucesso e ajudá-los a concretizar os seus objetivos. Acredito firmemente que o sucesso de uma escola não se mede apenas pelos resultados de quem chega ao exame, mas também pela capacidade de criar condições para que cada vez mais alunos consigam concluir o seu percurso.
No plano das disciplinas, há igualmente resultados que merecem ser assinalados. Destaca-se a média de 14,95 valores em Biologia e Geologia, seguida de 12,88 valores em Matemática, 12,60 em Português, 11,74 em Filosofia, 11,17 em Física e Química A e 9,85 em História A. São resultados naturalmente diferenciados, que nos permitem reconhecer desempenhos particularmente positivos, mas também identificar áreas em que podemos continuar a trabalhar para melhorar.
Há, contudo, um aspeto destes rankings que valorizo particularmente e que, talvez, não seja suficientemente destacado nas leituras mais imediatas: a estabilidade dos resultados de Vale D’Este ao longo dos anos. Desde que existem rankings, os nossos resultados não têm sofrido grandes oscilações. E este dado merece, na minha perspetiva, uma leitura muito positiva. Mais do que o desempenho pontual de uma determinada turma ou geração de alunos, esta regularidade reforça a solidez do projeto educativo da escola, a consistência das suas práticas e a capacidade de uma comunidade educativa para manter um rumo. Tal não significa que todas as turmas sejam iguais, que todos os anos tenham as mesmas condições ou que não existam diferenças nos desempenhos dos alunos; significa, isso sim, que existe um trabalho continuado, uma cultura de escola e um projeto que não dependem exclusivamente das características de uma determinada geração. É essa continuidade que nos dá confiança no caminho que estamos a percorrer.
Naturalmente, não devemos transformar a satisfação pelos resultados alcançados em acomodação. Pelo contrário, devemos encará-los como um estímulo para continuar a melhorar. Há sempre aprendizagens a consolidar, dificuldades a ultrapassar, estratégias a aperfeiçoar e novos desafios a enfrentar. A excelência não é um ponto de chegada: é uma atitude permanente perante o trabalho que desenvolvemos.
Mas também não podemos esquecer que a missão de uma escola vai muito além dos resultados académicos. Queremos alunos que aprendam, que pensem, que questionem, que sejam autónomos e responsáveis; jovens capazes de participar ativamente na sociedade, de respeitar os outros, de fazer escolhas conscientes e de construir os seus próprios projetos de vida. Queremos uma escola que promova a excelência, mas também a inclusão; que valorize o mérito, sem deixar ninguém para trás; que proporcione igualdade de oportunidades e contribua para o desenvolvimento integral de cada aluno.
É por tudo isto que os resultados agora conhecidos nos deixam satisfeitos e orgulhosos. Celebramos a média alcançada, o lugar no ranking de superação, a elevada percentagem de conclusão dos cursos e os bons resultados em várias disciplinas. Mas celebramos, sobretudo, aquilo que estes indicadores podem representar: o esforço dos nossos alunos, a dedicação dos professores, o trabalho dos assistentes técnicos e operacionais, o envolvimento das famílias e o contributo de todos os que, diariamente, fazem da Vale D’Este uma comunidade educativa.
A todos, sem exceção, deixo um profundo agradecimento. Os resultados são de todos, porque a construção de uma escola de qualidade é sempre um trabalho coletivo.
[Fonte: Público, rankings das escolas relativos aos exames nacionais de 2025, publicados a 30 de outubro de 2026.]
Prof. Jorge Pimenta
Adjunto do Diretor para o Ensino Secundário

